EDUARDO
(interpondo-se violentamente, com uma precipitação apaixonada e febril)
Não, não és tu! Quem vai dizer
tudo sou eu. Como hás-de ser tu, Benilde, se tu ignoras a verdade? Tu criaste
uma verdade que é só tua! Mas quem sabe toda a verdade sou eu, e já te disse
que a vou dizer. Sou eu que preciso de coragem, porque tenho de confessar uma
indignidade… uma infâmia…
BENILDE
Indignidade… Infâmia… tu?!
ETELVINA
Que vais tu inventar, Eduardo?
EDUARDO
Ouça-me, tio… e perdoe-me… Deus
me dê coragem a mim, se existe um Deus que nos ouve! Mas a verdade é esta: Há
uns meses, como sabem, eu passei aqui três dias. Sempre gostei de Benilde, e
com verdadeira paixão; sempre a considerei minha futura mulher. Uma dessas
noites que passei aqui, estava eu no jardim… Benilde apareceu. Vinha num acesso
de sonambulismo, suponho que o tio sabe que ela tem desses acessos, e outros…
ETELVINA
É mentira! ELE ESTÁ A MENTIR! Tu
estás a inventar isso, Eduardo!
EDUARDO
(quase rígido)
Juro à face de Deus que nos ouve
que não estou a mentir.
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