quarta-feira, 30 de março de 2016

Benilde ou a virgem mãe

EDUARDO
(interpondo-se violentamente, com uma precipitação apaixonada e febril)
Não, não és tu! Quem vai dizer tudo sou eu. Como hás-de ser tu, Benilde, se tu ignoras a verdade? Tu criaste uma verdade que é só tua! Mas quem sabe toda a verdade sou eu, e já te disse que a vou dizer. Sou eu que preciso de coragem, porque tenho de confessar uma indignidade… uma infâmia…
BENILDE
Indignidade… Infâmia… tu?!
ETELVINA
Que vais tu inventar, Eduardo?
EDUARDO
Ouça-me, tio… e perdoe-me… Deus me dê coragem a mim, se existe um Deus que nos ouve! Mas a verdade é esta: Há uns meses, como sabem, eu passei aqui três dias. Sempre gostei de Benilde, e com verdadeira paixão; sempre a considerei minha futura mulher. Uma dessas noites que passei aqui, estava eu no jardim… Benilde apareceu. Vinha num acesso de sonambulismo, suponho que o tio sabe que ela tem desses acessos, e outros…
ETELVINA
É mentira! ELE ESTÁ A MENTIR! Tu estás a inventar isso, Eduardo!
EDUARDO
(quase rígido)
Juro à face de Deus que nos ouve que não estou a mentir.


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