«Acontece que, às vezes, na pacatez
acomodatícia da vida corrente, do nível comum, em que se move a maioria, surge,
como exótica flor à flor duma água parada, certa fonte de iluminado perigoso;
de poeta que em breve dirão maldito! Porquê maldito?... porquê perigoso?...
porquê poeta? Maldito e perigoso porque poeta? Maldito e perigoso malgré poeta?
Nunca mais – nunca – pelos séculos fora, deixarão de pulular as interrogações e
dúvidas, as estranhezas ou hipóteses, em volta dessas frontes que às vezes se
elevam, estigmatizadas pelos Deuses, da água parada da vida corrente, do nível
comum, em que se move a maioria…
«Eis que não são também interrogações,
também dúvidas, também hipóteses e também estranhezas que nestas linhas venho
propor-vos, eu a quem irresistivelmente seduzem essas frontes de indesejáveis
Iluminados. Iluminados, ousarei dizê-lo, até quando o crime ou a perversão são
estigmas com que a ferro os marcam os Deuses. Ousarei dizer, eu a quem
irresistivelmente seduzem essas frontes de indesejáveis Iluminados…»
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