sexta-feira, 25 de março de 2016

Três Ensaios Sobre a Arte (Ensaio)

A arte é expressão – tenho pensado; e, naturalmente, escrito ou dito. Ora logo provoca esta afirmação pelo menos duas interrogações:
Que modo, ou género, de expressão?
Expressão … de quê?
Por outras palavras:
Mas toda a expressão será arte?
Mas será arte a expressão seja do que for?
Todos a quem se disser a arte é expressão levantarão, pelo menos, estas questões; (excepto os muito pouco dados a levantar questões). Não julgo fácil responder-lhes; não estou certo de lhes saber responder; mas compreendo que, sem qualquer desenvolvimento, parecerá bem puco dizer da arte que é expressão. Por isso tentarei responder aqui o melhor que puder.
Deverei pedir desculpa de me transcrever, num ensaio em que tento averiguar eu próprio o que penso sobre determinado assunto? Se acha que sim desculpe-me o prezado leitor. Escrevi algures:

«Toda a arte é expressão; e nem o que às vezes chamamos, em arte, sugestão é outra coisa senão expressão subtil. Aquém ou além da expressão, não há arte. Não há arte no gaguejar ou inarticular por que pode exprimir-se (mas não artisticamente) o indivíduo intensamente emocionado, como a não há no silêncio sublime por que pode exprimir-se (mas não artisticamente) o místico em êxtase. Tão-pouco há arte naquela simulação da expressão que é a retórica no sentido depreciativo – deturpado – da palavra.

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