A arte é expressão – tenho pensado; e,
naturalmente, escrito ou dito. Ora logo provoca esta afirmação pelo menos duas
interrogações:
Que modo, ou
género, de expressão?
Expressão … de
quê?
Por outras
palavras:
Mas toda a
expressão será arte?
Mas será arte a
expressão seja do que for?
Todos a quem se
disser a arte é expressão levantarão,
pelo menos, estas questões; (excepto os muito pouco dados a levantar questões).
Não julgo fácil responder-lhes; não estou certo de lhes saber responder; mas
compreendo que, sem qualquer desenvolvimento, parecerá bem puco dizer da arte
que é expressão. Por isso tentarei responder aqui o melhor que puder.
Deverei pedir
desculpa de me transcrever, num ensaio em que tento averiguar eu próprio o que
penso sobre determinado assunto? Se acha que sim desculpe-me o prezado leitor.
Escrevi algures:
«Toda a arte é
expressão; e nem o que às vezes chamamos, em arte, sugestão é outra coisa senão expressão subtil. Aquém ou além da
expressão, não há arte. Não há arte no gaguejar ou inarticular por que pode exprimir-se (mas não artisticamente) o
indivíduo intensamente emocionado, como a não há no silêncio sublime por que
pode exprimir-se (mas não
artisticamente) o místico em êxtase. Tão-pouco há arte naquela simulação da expressão que é a retórica
no sentido depreciativo – deturpado – da palavra.
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