sexta-feira, 29 de abril de 2016

Importância dos acervos pessoais

Arquivar e guardar são práticas comuns de pessoas voltadas ao estudo e leitura, o que os leva a reunir e preservar documentos, pelo que guardar é preservar para partilhar uma informação que poderia ficar dispersa e perdida.
Os itens de um acervo pessoal são reunidos através de critérios estabelecidos em função de objetivos e finalidades do seu responsável, não sendo relevante a quantidade de itens, mas a sua importância, sinalizando a organização do pensamento, e considerando-se a possibilidade de utilização como referência na produção e organização da atividade intelectual do colecionador.
Os acervos pessoais constituem valiosas fontes de pesquisa, seja pela especificidade dos tipos documentais, seja pela possibilidade de oferecerem informações complementares. O crescimento das pesquisas nas áreas e história da vida privada, bem como o interesse crescente pela análise de tipo biográfico têm aumentado a procura por este tipo de fonte, chamando a atenção para a importância da sua preservação, organização e abertura à consulta pública.
Sendo um grande colecionador português e um escritor importante a nível nacional, José Régio conta com uma valiosa coleção de arte popular que deverá ser conservada, estudada e publicada na Casa de José Régio.
Entre os objetivos principais da Casa de José Régio encontra-se a promoção do estudo da vida e obra do poeta.
Merecem particular menção diversas esculturas religiosas (góticas, maneiristas e barrocas), sendo igualmente de apontar várias pinturas dos séculos XVI e XVII. Acrescentam-se as gravuras, os estanhos, os vidros, rendas, bronzes, ferros, peças lapidares, entre outros para além das pinturas e desenhos de artistas contemporâneos.
Não se pode deixar de referir a excelente biblioteca, onde, além de volumes dos séculos XVII e XVIII, e de valiosas obras históricas e literárias, se encontra uma rara série de primeiras edições dos mais notáveis escritores portugueses da primeira metade do século XX, que, na maior parte dos casos, enriqueceram os seus livros com dedicatórias autógrafas. De valor incalculável é todo o arquivo de José Régio, com seus manuscritos, provas tipográficas, primeiras edições e os milhares de cartas que recebeu (PONTE, 2009, p.13).

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Acervos Pessoais

Os acervos pessoais constituem um conjunto documental relevante ao propiciarem o agrupamento de documentos realizados por profissionais e a sua importância tem aumentado recentemente com a organização e disseminação desses conjuntos, que podem ser representados por bibliotecas e arquivos.
“O estudo da memória é preenchido pelas noções de lembrança, esquecimento, silêncio, recordação, relíquia, lugares, passado, presente e futuro, traduzidos na dialética entre memória e história, entre o afetivo e a operação intelectual” (PONTES, 2015, p.102).
O arquivo pessoal representa uma finte de pesquisa única capaz de interagir com estruturas comunicacionais de uma pessoa e a sua relação com o mundo. Com os avanços de estudos teóricos e metodológicos da arquivologia, transformara-se esses conjuntos documentais em repositórios informacionais importantes para pesquisadores que a cada dia se debruçam sobre o estudo acerca de personalidades do mundo da cultura.
A memória é um campo de forte investimento intelectual das ciências sociais devido, fundamentalmente, à sua centralidade na produção de entidades. As instituições criadas com a vocação declarada de preservar a memória têm sempre carácter político, na medida em que a memória é um instrumento político, capaz de criar identidades, de produzir um discurso sobre o passado e projetar perspetivas sobre o futuro.
Segundo Bertonha (2007, p.118) “todo o acervo pessoal é, por definição, uma seleção entre a massa de registos que forma uma vida e, no caso de políticos, o acerto de contas com a História ou a intenção autobiográfica são preocupações comuns.”
Os acervos pessoais reúnem, então, papeis produzidos ou recebidos por entidades ou pessoas físicas de direito privado, onde os documentos refletem a personalidade e o comportamento do seu titular, ligados ao seu quotidiano, atuação social, política, económica e cultural.
Habitualmente, os acervos pessoais são transferidos por familiares ou terceiros após a morte do titular. No entanto, podem ocorrer casos em que o próprio responsável pela reunião da documentação decide transferir o ser acervo a uma instituição depositária. Neste caso, ao transferir o seu acervo para uma instituição, o conjunto documental continuará a ser atualizado e apenas será fechado com o falecimento do titular. Porém, após esse facto, novos itens podem ser agregados ao conjunto original do acervo.
Em virtude de conterem informações fundamentais para a recuperação da memória ou para o desenvolvimento da pesquisa histórica, científica ou tecnológica, alguns acervos pessoais podem ser classificados como “de interesse público” por meio de dispositivo legal, pelo que, nesses casos, a lei determina que sejam preservados e colocados à disposição dos pesquisadores.
O caminho dos arquivos é aberto aos historiadores, aos sociólogos, aos antropólogos, aos arquivistas, aos literatos, aos detetives, aos policiais, aos juristas, aos educadores, aos médicos, aos psicólogos, aos psicanalistas, aos jornalistas e a outros que, pelas características da sua atuação profissional, têm maiores condições e oportunidades de realizar essa espécie de viagem ao interior do pensamento de uma 111pessoa, e a razão de ser e de ações e atitudes suas, das quais, de outro modo, só se conheceria a finalização (BELLOTTO, apud Svicero, p. 1080).
O arquivo pessoal pode ser percebido como uma escrita de si: a pessoa seleciona documentos, desde os mais pessoais aos relacionados com a vida pública, passando por fotografias, coleções, objetos e correspondências com o objetivo de compor relatos das suas histórias de vida.
Ao pensar na relação entre a memória, a história e arquivo, temos a relação que se instaura no sentido de objeto da história, bem como o das formas de acesso e preservação do passado para viabilizar a escrita da história.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Profissionais da Informação na preservação da memória cultural

Tradicionalmente, as bibliotecas e os arquivos têm sido considerados locais privilegiados de conservação da memória, ideia associada à guarda de documentos, com o fim de servir interesses culturais e de investigação.
A visão tradicional que temos relativamente às bibliotecas e aos arquivos é de que tais instituições/serviços se assumem como locais privilegiados para conservar a produção de registos escritos, gráficos, sonoros, audiovisuais, eletrónicos, etc., que formam uma memória que é importante preservar, pelo facto de constituir fator de identidade nacional (RIBEIRO, 2005, p.2).
Assim, a conservação da informação como memória surge como uma necessidade e não como um objetivo em si mesmo. Os arquivos as bibliotecas foram conservando a informação, o que implicou a sua classificação e arrumação ordenada, bem como a elaboração de instrumentos de acesso.
Não se deve perder de vista que os investimentos na memória – projetos institucionais, comemorações, homenagens -, visam ancorar no passado as posições que os protagonistas desses investimentos ocupam no presente ou pretendem ocupar no futuro, sejam eles os próprios titulares, sejam seus herdeiros, entendidos aqui não apenas como familiares, mas também como depositários da herança política do personagem (HEYMANN, 2005, p.3).
“Nos novos contextos da Sociedade de Informação coloca-se, hoje, com a maior pertinência, o problema da conservação da memória e a sua compatibilização com uma Gestão da Informação de qualidade. Será possível harmonizar estes dois fatores?” (RIBEIRO,2005, p.8).
Esta questão liga-se com o papel dos profissionais da Informação e constitui um dos maiores desafios que os profissionais têm de enfrentar. Dado o volume e informação produzida e a rapidez com que a mesma se reproduz graças às facilidades da tecnologia, é inquestionável que se torna impossível conservar tudo.
A ideia clássica que associa a “memória” ao “património”, pressupondo uma materialização dos registos informacionais em suportes estáticos e permanentes, de que o papel é o exemplo mais comum, dificilmente se mantém na era digital. O documento tradicional deu lugar a uma realidade virtual que se transfere de lugar e de suporte físico em segundos e que se produz sem limites passando a localizar-se numa pluralidade de espaços e de tempos (RIBEIRO, 2005).
A decisão sobre a conservação deixou de ser um problema que se põe a posteriori, isto é, muito tempo depois da informação ser produzida e após uma análise do seu valor como bem cultural. Na era digital, a conservação da memória passou a ser um imperativo imediato, uma decisão a tomar no ato da criação da informação, sob pena de depois não ser possível mantê-la em condições de integridade. A conservação da memória torna, desta forma, imperioso fazer eliminações com base em critérios de seleção objetivos e rigorosos. Estes implicam o estabelecimento de princípios fundamentadores para essa seleção, bem como o domínio das tecnologias para garantir uma migração sucessiva de suportes (RIBEIRO, 2005).

terça-feira, 12 de abril de 2016

Literatura sobre sistemas d e gestão de conteúdos (CMS)

ESPERANÇA, Cláudio Filipe Pedro - Sistema de Gestão de Conteúdos para Portais Institucionais [em linha].[consultado em 12 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:https://iconline.ipleiria.pt/handle/10400.8/1382>

NEVES, Bruno Pinheiro; BORGES, Maria Manuel - A gestão de conteúdos digitais em bibliotecas universitárias: o caso do portal da Biblioteca da FLUC. [em linha].[consultado em 12 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/17800/1/A%20gest%C3%A3o%20de%20conte%C3%BAdos%20digitais%20em%20bibliotecas%20universit%C3%A1rias.pdf> 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O papel dos profissionais de informação na preservação da memória cultural

Bibliografia encontrada:

BERTONHA, João Fábio - A construção da memória através de um acervo pessoal: o caso do fundo Plínio Salgado em Rio Claro (sp). Património e Memória [em linha]. Vol.3 (2007), p.112-120. [Consult. 8 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL: http://pem.assis.unesp.br/index.php/pem/article/view/61>

FREIRE, Isa Maria - O acesso à informação e identidade cultural: entre o global e o localCiência da Informação,  Brasília. [em linha] v.35, n.2, p. 58-67. [Consult. 8 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:http://www.scielo.br/pdf/ci/v35n2/a07v35n2.pdf>

HEYMANN, Luciana. De "arquivo pessoal' a "patrimônio nacional": reflexões acerca da produção de " legados" . [em linha] Rio de Janeiro: CPDOC, 2005. [Consult. 8 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/1612.pdf>

RIBEIRO, Fernanda - Gestão da Informação/Preservação da memória na era pós-custodial: um equilíbrio precário?. [em linha]. [Consult. 8 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo8861.PDF>

SANTOS, Karina - Gestão de arquivos pessoais: potencialidades da atuação profissional do arquivista. [em linha]. Porto Alegre, 2011. [Consult. 8 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/40242/000827671.pdf?sequence=1>

SANTOS, Maria Célia Teixeira M. - A Preservação da Memória Enquanto Instrumento de Cidadania. Cadernos de Museologia [em linha]. Nº.3 (1994), p.67-78. [Consult. 8 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:http://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernosociomuseologia/article/view/307>

SILVA, Armando Malheiro - Arquivos de família e pessoais: Bases teórico-metodológicas para uma abordagem científica. APBAD [Em linha]. [Consult. 08 Abr. 2016]. Disponível em WWW: <URL:https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/52233?locale=pt>

TOGNOLI, Natália Bolfarini; BARROS, Thiago Henrique Bragato - As implicações teóricas dos arquivos pessoais: elementos conceituais. PontodeAcesso, Salvador. [em linha] v.5, nº1, p. 66-84. [Consult. 8 Abr. 2016].Disponível em WWW: <URL:http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/114762/ISSN19816766-2011-05-01-66-84.pdf?sequence=1&isAllowed=y>

quarta-feira, 6 de abril de 2016

FILHO DO HOMEM

O AMOR E A MORTE
União

TENHO, ainda, o teu corpo nos meus braços;
Sobre os meus ombros, teu cabelo.
Descansando dos meus e teus cansaços,
Tu dormes por nós ambos. Só eu velo.

Nos meus braços teu corpo estremeceu,
Desse tremor o meu foi percorrido.
Colados, curva a curva, onde começa o teu?
Onde se acaba o meu? Teu e meu têm sentido?

Teu ligeiro suor penetra minha pele:
Teu suor dos transportes de há momento
Que me atrevo a provar como quem lambe mel,
Em que refresco as mãos como num leve unguento.

Brandamente, por vezes, te desvio
De mim, para melhor, depois, sentir
Que és bem tu que eu agarro, acaricio,
Bem tu que eu pude, em mim, fundir.

Ai, anular-te em mim sem te perder!
Aniquilar-me em ti, - mas sendo nós!
Velo, e nem sinto a noite discorrer.
Sonho, e que sonho de que amor feroz?

Se ela viesse agora, Aquela que em seu manto
De silêncio e de sombra nos transporta,
Não seria melhor, meu doce encanto?:
Poder eu, ao morrer, ver-te já morta?

Porque amanhã,
Se não mesmo esta noite, o nosso inferno
Não mais permitirá que qualquer sombra vã
Da glória dum momento 

terça-feira, 5 de abril de 2016

COLHEITA DA TARDE

CANÇÃO DO REGRESSO

O Lar onde eu nasci
É próximo do Céu…
Menino, lá senti
Que o Fado me escolheu:
E assim como eu cresci,
Um sonho em mim cresceu.

“ Té que parti, cantando
Canções que emudeceram.
Regresso enfim, sangrando
Do mal que me fizeram.
E assim direi, chegando,
Às santas que me esperam:

- «No mundo, agora o sei,
«Tudo é Destino e Dor.
«Fui grande como um rei,
«Sou pobre e pecador.
«Dos lodos por que andei,
«Lavai-me um vosso amor!

«Quis ir a vencer moiros,
«Vi risos escarninhos;
«Contei ganhar tesoiros,
«Pedi pelos caminhos;
«Esperam-me de loiros,
«E coroam-me os espinhos!

«Que os sapos enlamearam
«Minh`alma onde era Dia!
«Que os corvos me bicaram
«Os olhos com que eu via!
«Que os lobos me arrastaram
«Do trilho que eu seguia!»

E logo as que me esperam
Dirão a uma só voz:
- «Os Anjos te trouxeram
«Ao lar de teus Avós;
«Que os golpes que te deram
«Tos sararemos nós.»

- «Meus golpes não são fáceis,
«Nem eu terei demora;
«Não vim por que os sarásseis,
«Nem tal me importa agora.
«Vim por que me ajudásseis:
«Chegou a minha Hora!»

E pálido – a sorrir
Com medo de chorar –
Eu me hei-de despedir;
E ali nesse lugar,
Minh´alma há-de partir,

Meu corpo há-de ficar…

sexta-feira, 1 de abril de 2016

CÂNTICO SUSPENSO

Acorda de esse leito-sepultura
Em que te encerram viva,
Sombra cativa
Da Liberdade pura!

Os que amadores teus se proclamaram,
Só lhes convém mas é que durmas…
Organizam turmas
No sepulcro lavrado em que te encarceraram.

Quebra esses falsos mármores! Afasta
Esses ridículos primores,
Esses hipócritas pudores
Sobre a tua nudez vibrante e casta.

Vem ouvir, bem-amada,
Na noite cinza, os brados
Dos teus reais amantes, afogados
Num mar de agitação, rumor e nada.

Sobre essas flores vis de plástico
Das funerais grinaldas sob quais
Morres, irmã dos Imortais,
Rompa teu riso lírico e sarcástico.

É tempo! Ressuscita
De esse ar de túmulo-salão-capela
E surge, ó sempre bela,
À Janela infinita.

As feras vão amar nas suas tocas,
Os astros cintilar em pleno meio-dia,
- Virgem Mãe da Alegria e da Melancolia,
Farol das tempestades que provocas.

Tudo, se dormes, dorme, e é cerração.
Tudo vai acordar – chorar e rir –
Desde que assomes para nos abrir
Teu imenso divino coração.

Acorda! Vê que sem
Tua Razão, tua Loucura,
De loucos ou sensatos somos nem caricatura:
Nada, ninguém.

Tem dó de esta secura, ressuscita.
Faz chover sobre nós os dons que de ti chovem
Surgindo, ó sempre bela, ó sempre casta, ó sempre jovem,

À Janela infinita.

MUSICA LIGEIRA

Na serena, verde superfície aquática,
Um reflexo, abrindo
Trémulas cintilas,
Deixa um longo rastro.

Pompeando estática
O seu rosto lindo,
Nas soidões tranquilas
Paira a antiga Lua, lúcido alabastro.

Como reluz, freme
Nesses estilhaços
De prata e platina,
Da lua o reflexo no paul dormente!

Nem folhinha treme
Nos envoltos braços
Em vaga neblina
Dos choupos da margem que se esboça em frente.

Dir-se-á que alguém teve
Manhas de animar
De vida secreta
Qualquer velha estampa dum livro romântico.

Ou então, que um breve
Sonho intervalar
Dum extinto poeta
Se fez realidade neste surdo cântico.

Para lá da margem,
Para além de lá,
Desvirgada, a Lua
Faz sinais, oferta-se aos aventureiros.

Temporal imagem
Da que, real, cá
Perpétua flutua
Nas manhas dos poetas e dos feiticeiros.

Qual – tu, musa estática,
Ou ela, é que mente
Sob um rosto de astro?
Qual se nos revela? Qual se nos esconde?

Mas na imóvel, verde superfície aquática,
O paul dormente
Só nos mostra o rastro

Que nos leva nunca ninguém sabe onde…