Arquivar e guardar são práticas comuns de pessoas voltadas ao estudo e leitura, o que os leva a reunir e preservar documentos, pelo que guardar é preservar para partilhar uma informação que poderia ficar dispersa e perdida.
Os itens de um acervo pessoal são reunidos através de critérios estabelecidos em função de objetivos e finalidades do seu responsável, não sendo relevante a quantidade de itens, mas a sua importância, sinalizando a organização do pensamento, e considerando-se a possibilidade de utilização como referência na produção e organização da atividade intelectual do colecionador.
Os acervos pessoais constituem valiosas fontes de pesquisa, seja pela especificidade dos tipos documentais, seja pela possibilidade de oferecerem informações complementares. O crescimento das pesquisas nas áreas e história da vida privada, bem como o interesse crescente pela análise de tipo biográfico têm aumentado a procura por este tipo de fonte, chamando a atenção para a importância da sua preservação, organização e abertura à consulta pública.
Sendo um grande colecionador português e um escritor importante a nível nacional, José Régio conta com uma valiosa coleção de arte popular que deverá ser conservada, estudada e publicada na Casa de José Régio.
Entre os objetivos principais da Casa de José Régio encontra-se a promoção do estudo da vida e obra do poeta.
Merecem particular menção diversas esculturas religiosas (góticas, maneiristas e barrocas), sendo igualmente de apontar várias pinturas dos séculos XVI e XVII. Acrescentam-se as gravuras, os estanhos, os vidros, rendas, bronzes, ferros, peças lapidares, entre outros para além das pinturas e desenhos de artistas contemporâneos.
Não se pode deixar de referir a excelente biblioteca, onde, além de volumes dos séculos XVII e XVIII, e de valiosas obras históricas e literárias, se encontra uma rara série de primeiras edições dos mais notáveis escritores portugueses da primeira metade do século XX, que, na maior parte dos casos, enriqueceram os seus livros com dedicatórias autógrafas. De valor incalculável é todo o arquivo de José Régio, com seus manuscritos, provas tipográficas, primeiras edições e os milhares de cartas que recebeu (PONTE, 2009, p.13).