O AMOR E A MORTE
União
TENHO, ainda, o teu corpo nos
meus braços;
Sobre os meus ombros, teu cabelo.
Descansando dos meus e teus
cansaços,
Tu dormes por nós ambos. Só eu
velo.
Nos meus braços teu corpo
estremeceu,
Desse tremor o meu foi
percorrido.
Colados, curva a curva, onde
começa o teu?
Onde se acaba o meu? Teu e meu
têm sentido?
Teu ligeiro suor penetra minha
pele:
Teu suor dos transportes de há
momento
Que me atrevo a provar como quem
lambe mel,
Em que refresco as mãos como num
leve unguento.
Brandamente, por vezes, te desvio
De mim, para melhor, depois,
sentir
Que és bem tu que eu agarro,
acaricio,
Bem tu que eu pude, em mim,
fundir.
Ai, anular-te em mim sem te
perder!
Aniquilar-me em ti, - mas sendo
nós!
Velo, e nem sinto a noite
discorrer.
Sonho, e que sonho de que amor
feroz?
Se ela viesse agora, Aquela que
em seu manto
De silêncio e de sombra nos
transporta,
Não seria melhor, meu doce
encanto?:
Poder eu, ao morrer, ver-te já
morta?
Porque amanhã,
Se não mesmo esta noite, o nosso
inferno
Não mais permitirá que qualquer
sombra vã
Da glória dum momento
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