Tradicionalmente, as bibliotecas e os arquivos têm sido considerados locais privilegiados de conservação da memória, ideia associada à guarda de documentos, com o fim de servir interesses culturais e de investigação.
A visão tradicional que temos relativamente às bibliotecas e aos arquivos é de que tais instituições/serviços se assumem como locais privilegiados para conservar a produção de registos escritos, gráficos, sonoros, audiovisuais, eletrónicos, etc., que formam uma memória que é importante preservar, pelo facto de constituir fator de identidade nacional (RIBEIRO, 2005, p.2).
Assim, a conservação da informação como memória surge como uma necessidade e não como um objetivo em si mesmo. Os arquivos as bibliotecas foram conservando a informação, o que implicou a sua classificação e arrumação ordenada, bem como a elaboração de instrumentos de acesso.
Não se deve perder de vista que os investimentos na memória – projetos institucionais, comemorações, homenagens -, visam ancorar no passado as posições que os protagonistas desses investimentos ocupam no presente ou pretendem ocupar no futuro, sejam eles os próprios titulares, sejam seus herdeiros, entendidos aqui não apenas como familiares, mas também como depositários da herança política do personagem (HEYMANN, 2005, p.3).
“Nos novos contextos da Sociedade de Informação coloca-se, hoje, com a maior pertinência, o problema da conservação da memória e a sua compatibilização com uma Gestão da Informação de qualidade. Será possível harmonizar estes dois fatores?” (RIBEIRO,2005, p.8).
Esta questão liga-se com o papel dos profissionais da Informação e constitui um dos maiores desafios que os profissionais têm de enfrentar. Dado o volume e informação produzida e a rapidez com que a mesma se reproduz graças às facilidades da tecnologia, é inquestionável que se torna impossível conservar tudo.
A ideia clássica que associa a “memória” ao “património”, pressupondo uma materialização dos registos informacionais em suportes estáticos e permanentes, de que o papel é o exemplo mais comum, dificilmente se mantém na era digital. O documento tradicional deu lugar a uma realidade virtual que se transfere de lugar e de suporte físico em segundos e que se produz sem limites passando a localizar-se numa pluralidade de espaços e de tempos (RIBEIRO, 2005).
A decisão sobre a conservação deixou de ser um problema que se põe a posteriori, isto é, muito tempo depois da informação ser produzida e após uma análise do seu valor como bem cultural. Na era digital, a conservação da memória passou a ser um imperativo imediato, uma decisão a tomar no ato da criação da informação, sob pena de depois não ser possível mantê-la em condições de integridade. A conservação da memória torna, desta forma, imperioso fazer eliminações com base em critérios de seleção objetivos e rigorosos. Estes implicam o estabelecimento de princípios fundamentadores para essa seleção, bem como o domínio das tecnologias para garantir uma migração sucessiva de suportes (RIBEIRO, 2005).
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