Na serena, verde superfície
aquática,
Um reflexo, abrindo
Trémulas cintilas,
Deixa um longo rastro.
Pompeando estática
O seu rosto lindo,
Nas soidões tranquilas
Paira a antiga Lua, lúcido
alabastro.
Como reluz, freme
Nesses estilhaços
De prata e platina,
Da lua o reflexo no paul
dormente!
Nem folhinha treme
Nos envoltos braços
Em vaga neblina
Dos choupos da margem que se
esboça em frente.
Dir-se-á que alguém teve
Manhas de animar
De vida secreta
Qualquer velha estampa dum livro
romântico.
Ou então, que um breve
Sonho intervalar
Dum extinto poeta
Se fez realidade neste surdo
cântico.
Para lá da margem,
Para além de lá,
Desvirgada, a Lua
Faz sinais, oferta-se aos
aventureiros.
Temporal imagem
Da que, real, cá
Perpétua flutua
Nas manhas dos poetas e dos feiticeiros.
Qual – tu, musa estática,
Ou ela, é que mente
Sob um rosto de astro?
Qual se nos revela? Qual se nos
esconde?
Mas na imóvel, verde superfície
aquática,
O paul dormente
Só nos mostra o rastro
Que nos leva nunca ninguém sabe
onde…
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